quinta-feira, 28 de março de 2013

COMO FALAR DE SEXO NA EDUCAÇÃO INFANTIL -



Como falar de sexo na Educação Infantil?

| Educação Infantil, Sexualidade

Ao falar de Educação sexual na infância fica sempre a dúvida: devemos falar do sexo propriamente dito? Mesmo os bebês já têm a sensação de excitação, mas buscar o orgasmo já não é, de fato, coisa de criança. Elas não entendem e nem estão interessadas em saber como isso funciona.
No entanto, para o adulto chegar ao relacionamento afetivo-sexual, ele tem que passar por várias experimentações, ter contato com o próprio corpo e vivenciar situações de carinho e a intimidade – que são fundamentais para permitir a entrega, a confiança, a cumplicidade e a responsabilidade sexual no futuro. E isso sim a gente aprende na infância.

A fase auto-sexual e a descoberta do corpo

Até os 4 anos de idade, o interesse sexual da criança está, basicamente, nas sensações do seu corpo, de carinho e atenção. Mas quando eles entram na fase que Freud chamou de auto-sexual ou genital, elas descobrem que têm autonomia para produzir uma sensação gostosa ao tocar seus genitais a conversa é outra.
Esta fase costuma ser crítica dentro da escola, porque em geral os professores não sabem qual atitude tomar ao surpreender a criança tocando os genitais. Portanto, a minha primeira sugestão é: não entre em pânico.
Não há nada de errado em se tocar, mas não em locais públicos, nem durante a aula, porque isso tira a concentração da criança e dos outros alunos sobre o que está sendo ensinado.
Na hora, não entre em detalhes. Sem expor a criança, diga apenas que não pode e chame ela de volta à atividade. Faça isso com a mesma naturalidade e convicção que a ensinou que na sala de aula que não é permitido comer ou fazer xixi.
Se essa situação começar a acontecer com frequência numa turma, talvez seja um bom momento para o professor ensinar aos alunos, por exemplo, o conceito de público e privado em relação às partes do corpo e aos comportamentos sexuais.
É muito importante que a gente entenda que é nesse toque e nas descobertas sexuais que as crianças fazem a diferenciação de si e do outro. É assim também que elas tomam consciência da diferença entre os gêneros masculino e feminino.
Este é um período de investigação sexual que não deve ser reprimido, mas sim, adequado à cultura e às imposições sociais que a escola precisa respeitar.

Na sala pode?

Se você encontrar, por exemplo, duas crianças de idades semelhantes “brincando de médico” na sala de descanso, é preciso analisar o caso. A conduta do professor depende dos valores da escola.
Se sua escola tem também como objetivo o desenvolvimento sexual dos alunos, não precisa de nenhuma interferência sua – eles estão perfeitamente adequados e tudo bem.
Mas como, provavelmente, este não é o seu caso – e nem o da maioria das escolas, você não deve olhar para esta situação como sendo uma anomalia entre crianças, mas pode e deve deixar claro para eles que esta atitude a escola não permite. Ou seja, as crianças precisam aprender seus limites. E isto se faz desde a infância.
Na escola, o professor muitas vezes se vê em apuros diante das perguntas das crianças. Um caminho que pode facilitar esta conversa é entender o interesse delas e até onde elas querem saber. Assim, antes de qualquer resposta, pergunte: para que você quer saber sobre isso?
Desta forma, você vai direto ao ponto, sabendo exatamente o que a criança quer saber. Assim, sua ajuda poderá ser mais efetiva.
Em outros posts detalharemos melhor as dúvidas que os professores têm em lidar com temais sexuais nesta faixa etária.
Maria Helena Vilela, diretora executiva do Instituto Kaplan onde coordena a área de Educação Sexual

quarta-feira, 27 de março de 2013

IMPORTÂNCIA DA MÚSICA PARA CRIANÇAS



MÚSICA

Por que estudar música

As crianças são seres musicais, mas precisam do espaço certo para desenvolver suas habilidades. Entenda como isso acontece em casa e na escola

A música está por todo lado, na natureza, na cidade, nas pessoas. No entanto, nem todos sabem escutá-la. Para Carlos Dorlass, diretor geral do colégio Peretz, esta é a maior importância do ensino musical: ensinar a escutar.

Mas os benefícios não param por aí. Não à toa que, a partir de 2012, o ensino musical tornou-se obrigatório na Educação Básica, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). A Educação Musical pode auxiliar na alfabetização, desenvolver raciocínio lógico e criatividade, além de ser um bom apoio para o ensino de outras disciplinas.
No entanto, Teca Alencar de Britto, professora de música da USP, alerta: "Sempre se busca um porquê para estudar uma forma de arte". Para ela, a importância da música está em si mesma: "Primeiro de tudo deve-se ter a música pela música: o conhecimento de mundo, o ritmo, a sensibilidade. Depois, os benefícios que ela traz, como maior atenção, coordenação motora e disciplina", enumera.


Confira os benefícios da Educação Musical:
1. Descobrir o mundo
Somos seres musicais desde o início da vida, o que muda é a complexidade da nossa relação com o som. A criança descobre as diferenças entre as sonoridades desde cedo, no entanto, para que esta relação se desenvolva, é necessário que haja espaço para ouvir, explorar e brincar.

De acordo com a professora Teca Alencar de Britto, a música é orgânica e corporal, principalmente nas crianças: "Enquanto os adultos racionalizam e teorizam muito, as crianças não têm qualquer inibição básica, e isso pode ser aproveitado".

Beto Schkolnick, professor da Escola de Educação Infantil Jacarandá e coordenador da área de música do Colégio Magno, em São Paulo, explica como o trabalho de música realizado com crianças está voltado para a experimentação sensorial, com brincadeiras que as ajudem a descobrir este universo.

Uma atividade realizada nesta fase, por exemplo, é a contação de histórias utilizando diferentes sons e instrumentos para cada personagem: "Um som será um dos porquinhos, o outro, mais forte, será o som do lobo, e assim trabalhamos as intensidades", explica
2. Aprender a escutar
Os sons estão por toda parte: cada ambiente traz o seu ruído peculiar e característico. O som de uma cidade, de uma sala de aula, de uma selva, de uma floresta. A isso chamamos paisagem sonora.

Saber discriminar os sons, não só dos instrumentos, mas do mundo a sua volta, é extremamente importante: trata-se da percepção sonora. Basicamente, é saber reconhecer o que se está escutando, saber que tal som pertence a um violino ou a uma bateria.

Nos ambientes em que vivemos, inclusive o escolar, há muitos ruídos, o que banaliza o som. A Educação Musical, por sua vez, cria espaços para a valorização da escuta. "Ouvir é uma habilidade. É saber prestar atenção, relacionar letra, música, ritmo. Isso serve para a tudo na vida", diz Carlos Dorlass, diretor geral do colégio Peretz.

Essa percepção pode ser criada por meio de jogos, como improvisação e percussão corporal. De acordo com o professor Beto Schkolnick, ao ouvir os registros do som é possível chamar a atenção para o grave, o agudo, as diferentes intensidades e timbres.

Os sons estão por toda parte: cada ambiente traz o seu ruído peculiar e característico. O som de uma cidade, de uma sala de aula, de uma selva, de uma floresta. A isso chamamos paisagem sonora.

Saber discriminar os sons, não só dos instrumentos, mas do mundo a sua volta, é extremamente importante: trata-se da percepção sonora. Basicamente, é saber reconhecer o que se está escutando, saber que tal som pertence a um violino ou a uma bateria.

Nos ambientes em que vivemos, inclusive o escolar, há muitos ruídos, o que banaliza o som. A Educação Musical, por sua vez, cria espaços para a valorização da escuta. "Ouvir é uma habilidade. É saber prestar atenção, relacionar letra, música, ritmo. Isso serve para a tudo na vida", diz Carlos Dorlass, diretor geral do colégio Peretz.

Essa percepção pode ser criada por meio de jogos, como improvisação e percussão corporal. De acordo com o professor Beto Schkolnick, ao ouvir os registros do som é possível chamar a atenção para o grave, o agudo, as diferentes intensidades e timbres.
3. Compreender o mundo
A música é feita pelos seres humanos e estes, por sua vez, não estão isolados no universo. Tanto a letra quanto os ritmos e melodias estão inseridos em uma cultura e em um contexto histórico. Estudá-lo ajuda a compreender o sentido da música (ou seus diferentes sentidos). 

O caminho inverso também acontece: a própria música serve de instrumento para compreender uma cultura ou a sensibilidade de uma época. Há músicas que ajudam a compreender características de um povo, de uma cidade ou de um movimento artístico, e isso pode ser apropriado para aulas de história e geografia, por exemplo. 

No colégio Peretz, em São Paulo, o tradicional sinal da troca de aula foi substituído por 20 segundos de música. "Toda semana colocamos algo diferente, geralmente ícones da música brasileira ou da cultura judaica", explica o diretor Carlos Dorlass. A música da semana é abordada mais tarde em sala de aula: "Falamos da história da letra, do contexto, dos seus elementos. E assim a educação é feita em parceria".

4. Fortalecer laços afetivos
Logo quando nascemos já começamos a construir nosso repertório musical, com as cantigas de ninar e as canções infantis. 
As famílias também têm suas próprias histórias musicais: podem ouvir e cantarolar estilos do interior, como moda de viola, ou músicas religiosas, típicas de seus países de origem. Essas canções são um material interessante para a sala de aula e ainda envolvem a família toda na Educação. 
"Não se pode achar que a Educação Musical é só a que acontece na escola. A cultura familiar pode dar um direcionamento para o trabalho", conta o professor Roberto Schkolnick. 
Além disso, ouvir música em casa é uma forma de compartilhar experiências bacanas. Para a professora Teca, é muito importante que os pais tenham essa convivência musical com as crianças: "Desde o início da infância pode-se criar um vínculo afetivo por meio da música, mesmo com as canções de ninar. O importante não é ter o refinamento, mas a qualidade afetiva. Isto tem um valor enorme para fortalecer vínculos", conclui.

5. Desenvolver cultura e tolerância
Ampliar o leque musical é uma forma de rever preconceitos. A experiência musical nos coloca em contato com o outro, com a diversidade e com a riqueza. 
Para os adolescentes, muitas vezes, o conhecimento musical está ligado ao que é veiculado pela mídia. Além disso, jovens se identificam com grupos sociais por meio da música e tendem a rejeitar o que vem dos adultos. Para o professor Roberto, o melhor caminho para superar esta resistência é sempre o do diálogo. Pais e professores devem estabelecer uma parceria e não apenas negar aquilo que é interesse dos jovens. 
As aulas precisam ter eco e fazer algum sentido para a criança, por isso não pode haver juízo de valor. "Assim, eles também aprendem a ouvir o que o professor e outros colegas propõem", defende Teca Alencar de Britto, professora de música. "Acho que isso cria um ambiente democrático e de reflexão, transformando a relação da criança e do jovem com a música, de forma que se tornem mais abertos", conclui.

6. Desenvolver a capacidade de expressão e criatividade
Somos seres musicais, e as crianças, em especial, têm um grande potencial criativo e expressivo, desde que tenha o estímulo certo. A aula de música pode convidá-la a cantarolar, criar, inventar. Construir instrumentos com sucata, por exemplo, é uma forma de despertar este lado.
A arte em geral, é uma forma de expressão e comunicação. "A música acaba sendo uma linguagem muito fácil de apropriar. É uma dádiva, todo mundo pode", diz Roberto. "A música é como a língua portuguesa. Por um lado, você pode fazer a análise sintática, por outro, pode-se realizar a interpretação, criar sentidos, construir formas poéticas ou informativas".

7. Praticar o raciocínio lógico
A linguagem musical tem formas de estruturar a linguagem. A organização de símbolos musicais envolve a lógica, a matemática. É um sistema racional lógico perfeito. Ao combinar os sons, perceber padrões, lidar com compassos, a criança desenvolve também o raciocínio matemático.
8. Desenvolver a capacidade de escolha, disciplina e organização
Algumas crianças, encantadas pelo fazer musical, vão querer se dedicar ao estudo de um instrumento específico. Neste caso, os professores reforçam a importância de esta decisão partir da própria criança, e não dos pais. 
De acordo com Liliana Bertolini, professora de música da EMIA (Escola Municipal de Iniciação Artística), é muito comum que pais queiram um instrumento e a criança, outro. "É um mito de que seja melhor iniciar com o piano porque é o básico. O melhor instrumento para iniciar é o que a criança gosta do som!", diz a professora. 
Claro, há também a criançada indecisa, que quer tocar tudo ou que sempre muda de ideia. Neste caso, o caminho é novamente o da conversa: "O ideal é tentar insistir em um instrumento por pelo menos seis meses, pois leva um tempo até entender o mecanismo dele ou ganhar um mínimo de intimidade com o som. Se depois não der certo, é melhor trocar, pois a criança não encontrou identificação", explica. 
Qual é, então, a função dos pais na educação musical? "Cabe a eles ajudar os filhos a organizar a rotina do estudo, mesmo que não conheça o instrumento", responde a professora. "Não é para estudar junto, mas estar ao lado deles". Outra forma que os pais podem ajudar a incentivar os filhos é pedir para que toquem para eles, familiares a amigos. Assim o instrumento torna-se algo que podem compartilhar. Que seja também uma forma de expressão e diversão, não apenas estudo. 
Outra questão importante é se o instrumento escolhido foge ao orçamento familiar, mas há formas de contornar esta questão. Na escola EMIA, ligada à Secretaria da Cultura e dedicada a aulas de artes, as crianças podem usar o instrumento da própria escola. "A família tem que organizar o orçamento. Eu já vi muitas soluções diferentes, como familiares fazendo uma vaquinha com todos os parentes para comprar uma flauta transversal para o menino", lembra Liliana.

TEXTO EXTRAÍDO DO SITE EDUCAR PARA CRESCER
EM 24/03/2013

quinta-feira, 21 de março de 2013

SÍNDROME DE DOWN NÃO É DOENÇA!!



Filme "Colegas" é primeiro longa protagonizado por atores Down

Produção venceu o prêmio de melhor roteiro do Festival de Paulínia de 2008 e também recebeu o Kikito de Melhor Longa Brasileiro no Festival de Gramado, em 2012


Foto:

"As pessoas precisam se informar mais para combater o preconceito", disse Ariel Goldenberg, um dos protagonistas de "Colegas


O que gostaria que as pessoas soubessem sobre a Síndrome de Down?

Ariel Goldemberg: Gostaria que todos soubessem que síndrome de Down não é doença. Então a gente não é portador, a gente é Down. Outra coisa, perante à sociedade somos Down, perante Deus somos normais. A gente estuda, trabalha, namora, casa, viaja, curte um cineminha, passeia. As pessoas precisam se informar mais para combater o preconceito. Fico chateado quando percebo os outros olhando pra gente com preconceito. Isso precisa acabar 

21 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA SÍNDROME DE DOWN



Inclusão para um mundo melhor

Entenda como ela é praticada na educação e por que a escola inclusiva é direito de todos

20/03/2013 18:4920/03/2013 18:49
Texto Cynthia Costa
(Educar para crescer)

A Constituição Brasileira, de 1988, prevê o direito universal à Educação em seu artigo 208. O Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, garante o mesmo. Em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases (Lei 9394/96) definiu regras a respeito da inclusão escolar, que foram reforçadas pela Política Nacional de Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, publicada em 2007. Todos esses passos foram dados em direção a uma educação a que todos tenham acesso, independentemente de dificuldades físicas e intelectuais - e de qualquer outra natureza.

Inclusão: Síndrome de Down

Desde que bem acompanhada por uma equipe multidisciplinar, a criança com Síndrome de Down beneficia-se das aulas e da convivência com os colegas na escola regular

Foto: Descubra a importância de incluir crianças com Síndrome de Down
Descubra a importância de incluir crianças com Síndrome de Down

PARA CONTINUAR A LEITURA, ACESSE O LINK EDUCAR PARA CRESCER DO SEU LADO DIREITO DO COMPUTADOR

sábado, 16 de março de 2013

POR UMA NOVA FORMA DE ENSINAR


Idealizador da Escola da Ponte critica maneira como tecnologia é usada em sala e chama de "miserável" formação de professor no Brasil

Rio - Não existe um modelo padrão de ensino. Cada escola deve se organizar para atender a seus alunos. Quem defende a ideia é o educador José Pacheco que, por mais de 30 anos, dirigiu a inovadora Escola da Ponte, em Portugal, onde o aprendizado é pautado pela confiança entre estudante e professor: não há salas de aula tradicionais, grade curricular ou provas. Os bons resultados da instituição dão a Pacheco autoridade para questionar o método de ensino atual. Na era das redes sociais, ele defende o compartilhamento do conteúdo escolar pelos alunos, levando a uma construção coletiva do saber. O educador também classifica como “miserável” a formação dos professores no Brasil.

 Nada acontece de diferente quando a teoria antecede a prática. É preciso uma ruptura com os modelos convencionais, em busca de uma nova escola, que se organize em torno dos valores que unem as pessoas atendidas. A escola não é um edifício, mas um espaço social — comenta o português, que participará do Conecta, evento sobre novas tecnologias e educação, que ocorre quarta e quinta-feira, no Rio.
Pacheco é um dos idealizadores da Escola da Ponte, na pequena Vila das Aves, a 30 quilômetros do Porto. Na instituição, os alunos se agrupam de acordo com sua área de interesse. Não há divisão por séries. Monitorados por professores, o estudante faz seu plano de metas baseado no conteúdo sugerido pelo Ministério da Educação. A metodologia ganhou fama global. Encantado, o escritor e educador Rubem Alves escreveu trabalhos como “A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir” (2003). Cerca de cem instituições no Brasil mudaram para, de certa forma, seguir o exemplo.
O próprio Pacheco está envolvido numa iniciativa que segue essas premissas, em Cotia (SP). Com 440 alunos, cujas famílias têm rendas de até três salários mínimos, o Projeto Âncora serve ao pré-escolar e ao ensino fundamental, sem turmas definidas. O aprendizado se dá conforme o interesse dos alunos, que assimilam o conteúdo e o compartilham no ambiente escolar.
— É um trabalho de formiguinha. Na implantação do projeto, rejeitamos tudo que não interessa. Aulas e séries são um obstáculo para o crescimento humano — diz ele.
Os resultados, segundo Pacheco, são animadores. Alunos marcados pela exclusão recebem atenção que nunca tiveram. Em seis meses, crianças analfabetas aprenderam a ler, e os professores embarcaram na novidade.
Mas o educador se mostra preocupado com o quadro geral do ensino no Brasil e no mundo. Na opinião dele, os métodos em voga estão obsoletos desde o fim do século XIX.
— Basta dizer que, no Brasil, esse tipo de educação dá origem a 24 milhões de analfabetos funcionais. Não adianta ser a sexta economia do mundo, quando se ocupa os últimos lugares em rankings de educação — critica Pacheco, para quem o despreparo das escolas fica latente diante de questões atuais como o bullying. — Muitas escolas suspendem ou expulsam alunos, instalam câmeras de segurança. Deveriam ser adotadas novas formas de diálogo.
Para resolver esse problema, diz ele, é essencial investir na formação de educadores:
— A formação de professores no Brasil, não hesito em dizer, é miserável. Parte de princípios errados, como aquele de que a teoria pode anteceder a prática. Não adianta colocar jovens na faculdade e enchê-los com teorias ultrapassadas. Eles perpetuarão esse modelo.
Pacheco diz que a renovação deve englobar a forma como as recentes tecnologias são aplicadas no ensino. Em tempo de redes sociais, não basta apenas introduzir computadores e mudar o velho quadro-negro pelo monitor digital.
— Mesmo nos EUA e na Europa, o modelo convencional de educação continua. As novas tecnologias contribuem para a mesmice, quando deveriam proporcionar o compartilhamento de conteúdo entre os alunos. Se as escolas entenderem isso, podem migrar de um modelo em que os estudantes são como papagaios repetindo a lição para um ambiente onde ocorra, de fato, a construção do saber — diz o educador. — Os jovens precisam ser incentivados a reconstruir uma sociedade doente e usar as tecnologias para fazer isso criticamente. Noto que essas ferramentas contribuem para que os alunos se tornem solitários. Isso é uma regressão.

Fonte: Jornal O Globo

terça-feira, 5 de março de 2013

BULLYING DE GENTE GRANDE- REFLITAM....


Muito interessante esse texto da Rosely Sayão, temos que refletir sobre essas questões, eu tenho percebido muito esse tipo de bullying nas escolas em que trabalhei, portanto temos que entender bem os conceitos referentes ao "bullying" de que tanto ouvimos falar hoje em dia. Boa leitura!

05/03/2013-03h00

Bullying de gente grande


DE SÃO PAULO

Não gosto do conceito de bullying e do uso que temos feito dessa palavra. Eu já disse isso e reafirmo em nossa conversa de hoje.
Por que tenho rejeição em relação ao conceito? Porque ele leva o adulto a se ausentar das questões que os mais novos enfrentam na convivência com seus iguais.
É como se nada do comportamento manifestado pelas crianças --nos conflitos, nas provocações, brigas e desavenças, nos apelidos e nas piadas a respeito de aparência-- tivesse relação com o mundo adulto.
E mais: é como se elas fossem totalmente responsáveis por tudo o que fazem. De errado, é claro. O conceito nos permite, portanto, ficar de fora desses problemas. Talvez por isso mesmo faça tanto sucesso entre nós, adultos.
E o que dizer, então, do uso da palavra? Temos uma especial atração pelo exagero nessa questão.
Uma criança pequena que é mordida pelo colega na escola, um primo que zomba do outro que perdeu o jogo, a criança que usa óculos e ganha um apelido por isso... tudo agora é transformado no tal do bullying.
Bem, mas encontrei um bom uso para essa palavra e esse conceito -e é disso que vou falar hoje. Trata-se do bullying de adultos contra crianças e adolescentes.
Outro dia ouvi a mãe de uma menina chamá-la de "anta" e dizer que ela só fazia coisas erradas.
Ainda ouvi a garota responder, com cara de choro, que não havia feito o que fizera por querer... Havia errado tentando acertar. Isso é bullying, concorda leitor?
Uma criança humilhada por alguém contra quem não pode ou não consegue se defender pode muito bem ser assim entendido.
E nas escolas? Pais de alunos e professores têm praticado o bullying contra alunos no espaço escolar, sabia? Vou começar pelos pais, dando alguns exemplos.
A escola tem um vício, entre tantos, que afeta fortemente alguns alunos. Escolhe "bodes expiatórios" para arcar com quase tudo de errado que acontece na sala de aula e no espaço escolar.
Muitos alunos conversam, saem da carteira, fazem bagunça, mas a professora sempre chama a atenção, nominalmente, apenas de um ou dois dos alunos.
Claro que todos os alunos percebem isso e passam a acreditar que só aqueles determinados colegas fazem o que não deveriam fazer e, em casa, reclamam desses colegas aos pais. O que muitos desses pais fazem?
Conversam com outros pais para falar mal dos bodes expiatórios, procuram a direção da escola, fazem abaixo-assinado, ameaçam cancelar a matrícula do filho caso esses alunos não saiam da classe ou até mesmo da escola.
É bullying puro de um grupo de adultos contra uma ou duas crianças.
E os professores? Você não tem ideia, caro leitor, de como alguns deles são capazes de fazer referências irônicas e depreciativas a respeito de determinados alunos quando conversam na sala dos professores, por exemplo.
Os alunos em questão não ficam sabendo do que é dito a seu respeito? Nem precisa, porque, no relacionamento com os professores, isso será percebido.
Talvez esteja na hora de fazermos um acordo no mundo adulto: o de só falarmos do bullying entre os mais novos quando controlarmos nosso próprio comportamento e pararmos com essa história de humilhar, depreciar, excluir, intimidar e agredir, velada ou escancaradamente, as crianças e os adolescentes.

Rosely SayãoRosely Sayão, psicóloga e consultora em educação, fala sobre as principais dificuldades vividas pela família e pela escola no ato de educar e dialoga sobre o dia-a-dia dessa relação. Escreve às terças na versão impressa de "Equilíbrio".

sexta-feira, 1 de março de 2013

DIA DO BRINQUEDO É LEGAL?




Ao levar o brinquedo de casa para a escola as crianças podem aprender muito. Veja o que os especialistas dizem 

Muitas pré-escolas já instituíram que sexta-feira é o dia do brinquedo. Outras não têm um dia estipulado, mas um horário na rotina de atividades dedicado aos brinquedos trazidos de casa. Mas afinal, qual a importância pedagógica de levar os brinquedos para a escola na Educação Infantil?

O objetivo é bem maior do que o de proporcionar alguns momentos de lazer descontraído. "Ao trazer de casa o seu brinquedo, a criança traz um pouco do seu cotidiano fora da escola e vai compartilhá-lo com o grupo", explica Suzy Março de Souza, coordenadora pedagógica do Colégio AB Sabin, de São Paulo. Veja abaixo o que as crianças podem aprender com essa atividade e como ela pode ser organizada.

           Desenvolve a expressão oral
Levar o brinquedo para a escola e contar para os colegas sobre ele ajuda as crianças a exercitar a expressão oral. "No dia do brinquedo fazemos uma roda de conversa e cada criança é convidada a apresentar o que trouxe, a contar sobre ele", diz Suzy Março de Souza, coordenadora pedagógica do Colégio AB Sabin. "Isso ajuda os alunos a desenvolver a argumentação. Além disso, muitas vezes traz para os educadores histórias do cotidiano dos alunos, já que a criança é levada a contar quem deu o brinquedo ou porque ela pediu para tê-lo, por que o escolheu, com que estava na ocasião da compra, etc", explica.

         Mostra a importância de partilhar

Na primeira infância, as crianças são naturalmente egocêntricas e vivem em uma fase que precisam descobrir que não são o centro das atenções. Quando levam seus brinquedos mais especiais e queridos para a escola, elas acabam aprendendo a partilhar. "Nesse momento, elas começam a entender que para usar o brinquedo do outro, precisam também emprestar o seu para os colegas. Às vezes é necessária a intervenção da professora para mediar essas trocas", diz Suzy Março de Souza, coordenadora pedagógica do Colégio AB Sabin.

       Faz uma ponte de afeto

     O brinquedo trazido de casa representa, especialmente para as crianças menores, um pouco do lar                 presente na escola. "Nesse sentido, poder vir para a escola com o brinquedo preferido ajuda a fazer essa     ponte simbólica, afetiva, a dar segurança para a criança, especialmente em momentos de adaptação", afirma Josiane Del Corso, coordenadora pedagógica das unidades de educação infantil do Colégio Oswald de Andrade, de São Paulo.

Ensina responsabilidade

A atividade de levar seu próprio brinquedo para a escola é uma boa oportunidade também para ensinar as crianças a ter responsabilidade por suas coisas. "Cada criança deve se responsabilizar por seu próprio brinquedo e deve aprender a ter cuidado com os dos amigos também", diz Suzy Março de Souza, coordenadora pedagógica do Colégio AB Sabin.

Exercita a escolha

A escolha dos brinquedos também representa um aprendizado para os alunos. "Estimulamos os alunos a refletir sobre os brinquedos que escolhem para levar a escola. Se alguém traz um minigame, por exemplo, podemos discutir nas rodas de grupo qual a validade dos brinquedos como esse, que têm uso individual ou daqueles que fazem tudo sozinhos", diz Josiane Del Corso, coordenadora pedagógica das unidades de educação infantil do Colégio Oswald de Andrade. Suzy Março de Souza, coordenadora pedagógica, concorda: "Orientamos os alunos a evitar os brinquedos eletrônicos e a preferir aqueles que propiciem um brincar coletivo e não individual". Além disso, segundo ela, há algumas restrições sobre os tipos de brinquedos que podem entrar na escola. "Não permitimos revólveres de brinquedo e nem aqueles que podem levar a movimentos mais exacerbados como as espadas de brinquedo. Os mais adequados são os jogos, as bonecas e os carrinhos", explica.

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Dia de brinquedo e fantasia

Fantasias também são brinquedos e dos mais importantes, pois estimulam a imaginação e ajudam as crianças a trabalhar conteúdos simbólicos. "Quando realizamos os dias de brinquedo, convidamos os alunos a usarem fantasias, se quiserem. Assim, a brincadeira fica completa e mais divertida", diz Suzy Março de Souza, coordenadora pedagógica do Colégio AB Sabin.
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Há uma idade adequada?

Não existe uma idade limite para organizar dias ou horários dedicados aos brinquedos. Mas essa atividade é especialmente adequada para os menores, da pré-escola ao ensino fundamental I. "Muitas crianças têm nos brinquedos seus objetos transacionais, que a ajudam a se adaptar a lugares e situações. Isso é mais comum até os 3 anos mais ou menos, mas algumas vezes até as crianças mais velhas precisam desse apoio", afirma Josiane Del Corso, coordenadora pedagógica das unidades de educação infantil do Colégio Oswald de Andrade
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Quando levar os brinquedos?

Há escolas que determinam um dia da semana para que as crianças levem seus brinquedos. Outras permitem que eles sejam levados diariamente. O importante, em qualquer um desses casos é que sejam estabelecidas com os alunos as regras e horários da brincadeira. "Na nossa escola não temos um dia determinado para levar os brinquedos, mas eles têm um horário na rotina em que podem brincar com eles. Fora desses horários, eles sabem que têm que deixar os brinquedos guardados", diz Josiane Del Corso, coordenadora pedagógica das unidades de educação infantil do Colégio Oswald de Andrade.